Esclerose Múltipla: Quais as perspectivas em exames complementares?

Tomografia de Coerência Óptica (OCT)

Recentemente, a Tomografia de coerência óptica (OCT) tem sido aplicado em vários estudos em Esclerose Múltipla como um instrumento reprodutível, barato e com uma técnica capaz de identificar as diferentes camadas retinianas.

Um conjunto crescente de evidências apoia a mensuração das camadas retinianas pelo OCT no ambiente de pesquisa da Esclerose Múltipla, pois eles refletem os danos neuroaxonais com confiabilidade. As camadas mensuradas são:

-Camada de Fibra Nervosa da Retina Peripapilar (pRNFLT)

-Célula Ganglionar macular e espessura da Camada Plexiforme Interna (mGCIP)

-Espessura da Camada Neural Interna (INL)

-Volume Macular Total (TMV)

Alguns estudos com RM e OCT demonstraram associação entre a redução da pRNFLT e GCIP com a atrofia cerebral, apoiando o papel dessas medidas como marcadores de neurodegeneração global. Adicionalmente, a redução da pRNFLT estaria relacionado às incapacidades físicas, funcionais, comprometimento cognitivo e evidencia de atividade de doença clínica e radiológica (RM), sendo possível preditor de incapacidade de longo prazo. Associação semelhante também foi demonstrado no TMV.

Neurofilamento de cadeia leve(sNfL)

-Os neurofilamentos de cadeia leve(sNfL) – subunidade dos neurofilamentos – são estruturas proteicas de sustentação abundantes em neurônios e citoplasma axonal. Quando ocorre o dano neuroaxonal típico das doenças desmielinizantes, os neurofilamentos de cadeia leve são massivamente liberados no interstício, circulando posteriormente no LCR. Mais recentemente, os neurofilamentos de cadeia leve já podem ser detectados no soro, embora 40x menos concentrados do que no LCR.

Qual a importância do neurofilamento de cadeia leve sérico em relação Esclerose Múltipla?

– O neurofilamento de cadeia leve sérica tem demonstrado ter um papel importante no monitoramento, na predição de evolução da doença, resposta ao tratamento e sua potencial relação com as alterações de atividade da doença vistas na ressonância magnética.

– Os estudos vem confirmando a utilidade dessa medida como biomarcador prognóstico da doença.

O que foi identificado no estudo do Neurology “Serum neurofilament light chain and optical coherence tomography measures in MS -A longitudinal study”  que corrobora com os estudos já realizados?

Tanto sNfL como pRNFLT, mGCIP e TMV estavam significativamente alterados nos pacientes com EM no início (baseline) e no acompanhamento(follow-up), quando comparados com grupo controle (indivíduos saudáveis).

As medidas mesuradas no O.C.T foram significativamente menores em indivíduos com EM sem histórico de neurite óptica, reforçando a noção de que o dano retiniano seja parcialmente independente dos surtos inflamatórios agudos do nervo óptico (neurite óptica). Os resultados podem ser justificados pela presença de episódios subclínicos de neurite óptica e por um fenômeno de degeneração retrógrada que são provenientes de episódios inflamatórios que ocorrem no nervo óptico ou ao longo das vias óptica.

Qual a conclusão deste artigo?

Confirma a capacidade de sNfL para detectar danos neuroaxonais na EM e defende a inclusão de medidas sNfL e OCT em ensaios clínicos futuros.

Existe mais algum estudo que vai ao encontro com a hipótese de dano axonal retiniano subclínico em pacientes com EM sem histórico de neurite óptica?

Estudo encabeçado por Jean-Baptiste Davion e colaboradores, publicado em maio no Neurology (2020), tinha como objetivo avaliar a frequência de lesões assintomáticas do nervo óptico e seu papel na perda neuroaxonal retiniana assintomática observada em pacientes com Esclerose Múltipla (EM).

Quais os foram os resultados encontrados?

An optic nerve lesion was detected in half of MS-NON eyes. Compared to optic nerves withoutany lesion and independently of the optic radiation lesions, the asymptomatic lesions were associated with thinner inner retinal layers (p < 0.0001) and a lower contrast visual acuity (p ≤0.003). Within eyes with asymptomatic optic nerve lesions, optic nerve lesion length was the only MRI measure significantly associated with retinal neuroaxonal loss (p < 0.03)…”

Qual foi a conclusão?

As lesões assintomáticas do nervo óptico são subestimadas e são causas preponderantes da perda neuroaxonal retiniana na EM. A sequência DIR 3D, medida pelo OCT, pode ser mais sensível que a IETD para a detecção de lesões do nervo óptico.

Referências:

-Neurology 2020;94:1-e11. doi:10.1212/WNL.0000000000009504

-Neurol Neuroimmunol Neuroinflamm 2020;7:e737. doi:10.1212/NXI.0000000000000737

Publicado por Neuroskull(Dr.André Vidal)

Este é o NeuroSkull , o site de educação em Neurologia. Dr.André Vidal Especialista em Neurologia pelo Hospital do Servidor de São Paulo( IAMSPE); Membro titular da ABN; CRM-SP 178360; RQE 79163.

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